23.12.15

Evidências Científicas dos Para-mestres de Yoga (Indiano e Chinês): Experiência Mediúnica-Clarividente em Meditação Macrocósmica

Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo e Psicoterapeuta
Pesquisador da Consciência, Yoga, Taoismo e Holocosmologia
Professor e Pesquisador do Tao Yoga - Tai Chi Chuan
Espaço Terapêutico Tao Psi (clínica particular)
Projeto Amanhecer - HU - UFSC (clínica voluntária)
Coordenador do LAC - Laboratório de Autopesquisa da Consciência e do Yoga (PA-HU-UFSC).



Considerações Iniciais

O presente ensaio parte de duas experiências isoladas, uma realizada dentro do Laboratório de Autopesquisa da Consciência e do Yôga e a outra realizada em meu consultório particular (Espaço Terapêutico Tao Psi) em uma sessão de psicoterapia parapsicológica.

A primeira foi a constatação em clarividência da presença direta, presencial do que posteriormente iria designar por Swami, ou o mestre de Yoga que já possui o autodomínio e o domínio do Yoga. O mestre extrafísico apresentava-se com as roupagens alaranjadas e turbante, expondo a serenidade profunda e a lucidez de um mestre. A única coisa que comunicou foi: "samprajnata samadhi". Nada mais.

A segunda experiência foi a constatação direta também em clarividência mediúnica da presença de um também swami chinês, um mestre taoista o qual vestia-se de branco, sem cabelos, barba, fina e comprida, de um profundo pacifismo, e pude neste contato compreender a natureza da violência e suas relações com a serenidade e a meditação.

O modo de ensinar dos mestres extrafísicos é direta e geralmente sem maiores discursos. São sintéticos, claros e ensinam somente o essencial.

O primeiro swami ensinou-me o samprajnata samadhi, ou o samadhi com semente, dentro da prática da meditação microcósmica ou o kriya indiano. O segundo ensinou-me sobre o pacifismo dentro da mesma prática da meditação microcósmica, o nei-dan taoista.

Estas vivências evidenciam também a essência da coesão metodológica de ambos métodos.


Swami Patañjali
1. Ensinamento do samprajnata samadhi pelo Swami.


Aquele dia iniciamos o encontro num diálogo aprofundando as questões profundas da vida de cada um dos membros do laboratório. O exame aprofundado, na persistência do discernimento, na autoinvestigação honesta e profunda de cada um, foi que após determinado ponto iniciamos a meditação, primeiramente, a microcósmica e após a macrocósmica.

Estávamos realizando a meditação microcósmica quando iniciamos a meditação macrocósmica, experiência esta que visa o samadhi. O samadhi como já expus, é a experiência de interrupção das perturbações internas e portanto, de serenização do espírito.

Num dado momento, senti um profundo êxtase, sensação de felicidade que fazia-me evaporar, transparecer meu espírito, gratidão por tudo e por nada, o simplesmente eu sou feliz agora sem motivo. Ao mais uma vez sentir o samadhi entramos na meditação macrocósmica e comecei a ver em clarividência o mestre indiano vestido de roupas alaranjadas, turbante, com expressão lúcida e serena no olhar. O mestre chegou próximo a mim e me disse em telepatia: "samprajnata samadhi". E saiu de volta ao grupo de mestres liderados por um gran-mestre.

O sentimento de conectividade, a comprovação mais uma vez da existência extracorpórea, a ligação direta com os para-mestres do Raja Yoga, a percepção exata do nível o qual estamos de aprendizes do samadhi, situou a essência de tudo que venho construindo ao longo de várias vidas. Paz íntima, certeza da amparabilidade onipresente, certeza da amparabilidade de nosso trabalho no LAC e certeza da possibilidade do êxtase nirvânico do samadhi. Nada me perturbava, nada me tirava do centro, nada era suficiente forte e poderoso para atingir-me e perturbar-me. Ali encontrei a semente da imperturbabilidade permanente: samprajnata samadhi.

A construção pluriexistencial, milenar, do samadhi. Este movimento de construção, de sair da semente e brotar, cultivar até que se alcance o pico do êxtase é chamado de "samprajnata samadhi". Até então não tinha a noção exata do significado do conhecido "samadhi com semente" e a sua profundidade.


Swami Lao Tzu
2. Uma aula de pacifismo pelo mestre chinês.

E mais uma vez aparece um para-mestre chinês, de vestimenta branca, profundamente pacífico. Estava ensinando e praticando a meditação microcósmica e macrocósmica com meu aluno quando durante a meditação macrocósmica vejo em clarividência do para-mestre (provavelmente Lie Tzu, nome que posteriormente viria em minha mente ao refletir sobre a identidade do mestre).

A sua profunda serenidade e paz de espírito, livre de qualquer tipo de sinal de agressividade, ensinava-me o que muito tempo estava buscando: o contato direto com mestres acima de meu nível, de forma que pudesse aprender as lições do Tao diretamente.

O ensinamento foi não-verbal. O mestre nada disse, mas tudo falou. A sua presença de fecunda serenidade mostrou-me num exame direto a distância que se encontra da violência. Como água e óleo, a violência não poderia atingi-lo mais. Livre de toda violência interior, sua aura expressava a suavidade do vapor de serenidade que só pela presença ensinava-me quem eu sou e a medida exata da violência que ainda existe dentro de mim e em volta.

O ensino sem palavras, um mestre taoista.


Considerações Finais

O contato com os para-mestres me ensinam a discernir mestres dos pseudo-mestres, e mestres de instrutores ou professores. Eu um professor e aluno dos mestres do Tao, do Samadhi.

A alegria calma e a serenidade silenciosa circula em meu coração neste instante. Compartilho destas vivências com você de maneira que possa você mesmo comprovar tudo o que exponho em meus ensaios. Tudo o que exponho está acessível a você. E a nossa saúde e o sentido de nossas vidas, é o Tao do encontro com as essências do Universo!

OM SHANTI!

16.12.15

Pontuações Essenciais sobre a Ciência do Tao Yoga

Wu-Ji - Tai-Ji
Fernando Salvino (M.Sc)
Parapsicólogo e Prof. Tao Yoga - Tai Chi Chuan.
Coord. LAC - Laboratório de Autopesquisa da Consciência e do Yôga.


1. Tao (Wu-Ji)

Tao é o caminho, o sentido, o eixo universal, o eixo da realidade última (Holocosmo), donde viabiliza a existência de tudo ou o Holocosmo. Tao é o eixo norteador do holomovimento, inacessível, intangível, invisível, intocável, e puramente abstrato, está presente em tudo e nunca é encontrado. Não existe como compreendemos existência e está além de tudo o que a inteligência humana pode compreender. É possível de ser sentido ou vislumbrado, porém não entendido. Situa-se no campo do incognoscível, do fundamento sem fundamento que viabiliza a existência. É mais essencial que a existência e é o pressuposto de tudo, sendo como bem disse o mestre, anterior até ao próprio Deus. Tao é o eixo viabilizador da vida, é a vida em si e transcende-a infinitamente. Em sua manifestação num nível humano, Tao se mostra como estado de pura consciência informe, além do espaço, tempo, energia e dimensão, pura serenidade, benevolência, hiperlucidez e sabedoria holocósmica. Tao está para Wu-Ji assim como Wu-Ji está para Tao. Somente no estado de Wu-Ji que é possível vislumbrarmos Tao.


2. Holocosmo (Tai-Ji)

O Holocosmo é a realidade última, fonte de tudo e o tudo existente. Inclui tudo o que pressupomos existir, o que existe e não sabemos que existe e a não-existência propriamente dita que fundamenta a possibilidade da existência. O Holocosmo move-se continuamente em holomovimento. A hologênese se move a partir do não-tempo. Nada surge, nada acaba. O Holocosmo sempre existiu e sempre existirá na eternidade do tempo e no infinito do espaço. Espaço, tempo, dimensão, consciência e energia formam uma intrincada unidade indivisível onipresente. A linguagem enquanto representação do real sempre será linguagem, limitada e restrita ao sujeito comunicante. O Holocosmo é a fonte última da linguagem e, portanto, do sujeito comunicante. Qualquer conceito sobre o Holocosmo é esboço e não verdade. A verdade está além da linguagem, no acesso direto a partir da função psi-ómicron. Holocosmo está para Tai-Ji assim como Tai-Ji está para Holocosmo. Somente no estado de Tai-Ji é possível vislumbrarmos a suprema unidade além de toda e qualquer dualidade ou o Holocosmo.


3. Holocosmologia

É a ciência que investiga o Holocosmo em sua inteireza a partir principalmente dos estados de consciência de largo espectro, a partir da função psi-ómicron, incluindo o sujeito em sua condição de holofusão, portanto, a autopesquisa holocósmica. A Holocosmologia é noutras palavras a ciência do Tao, a ciência do Wu-Ji/Tai-Ji, a Holociência.


4. Princípio

O Tao-Holocosmo é investigado e compreendido a partir de uma sistemática composta por múltiplos métodos interconectados. A vivência abstrata do Tao e a compreensão progressiva do Holocosmo se dá a partir da deflagração progressiva de uma função parapsíquica peculiar do largo espectro holotrópico da experiência consciencial, o qual chamei de função psi-ómicron.

A holocosmificação consciencial se dá a partir das experiências que ultrapassam o espectro da experiência humana ordinária e mesmo das experiências humanas parapsíquicas comuns estudadas pelas ciências da consciência. A isto inclui o contato direto com inteligências alienígenas e suas formas de manifestação e tecnologia, vivências projetivas extraplanetárias e entrevidas e vivências de samadhi na interrupção da flutuação mental e serenização do espírito. Estas experiências calibram a consciência microcósmica com a macrocósmica num alinhamento progressivo, o qual é chamado de Yôga, no alinhamento de Yin e Yang.

Yôga é a calibração progressiva do microcosmo com o macrocosmo, na união indivisível entre o micro com o macro. Esta união progressiva é um movimento de amor, de união. O amor é a expressão do Tao na união de tudo numa holocoesão holocósmica. Assim, o princípio de holofusão é o movimento de dissolução de toda e qualquer perturbação (sofrimento) visando a elevação da consciência num patamar de harmonia íntima e compreensão holocósmica mais refinada e profunda.

Este movimento é o de dissolução do sofrimento em todas as suas formas e o de vivência da condição de espírito puro ou consciência real, na pura autenticidade do que realmente somos, o eu holocósmico, o próprio Holocosmo.

Assim, o princípio de união, o princípio integrativo, unificador, portanto, de amor, é o Yôga que viabiliza a holofusão e a dissolução de toda e qualquer forma de angústia, depressão, ansiedade e sofrimento geral.

No entanto, o Yôga não é a simples vivência do amor puro, mas também a autoexperimentação sistemática de um sistema de métodos interligados e unificados. O Yôga então é a ciência da autotransformação até a nossa condição de não-forma do espírito puro e liberação dos ciclos de nascimento e morte, a vida eterna e infinita propriamente dita.


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Na próxima publicação, darei prosseguimento a este ensaio no desenvolvimento dos seguintes tópicos, tais como:

5. Epistemologia
6. Sistemática
7. Métodos
8. Técnicas
9. Experiências

14.12.15

Tai Chi Chuan - Tai Ji Quan - Tao Yoga: Esclarecimentos sobre 14 Confusões


Fernando Salvino (M.Sc)
Parapsicólogo e Prof. Tao Yoga e Tai Chi Chuan.

Coord. LAC - Laboratório de Autopesquisa da Consciência e do Yoga.

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Este ensaio é dedicado ao grande mestre Yang Luchan.
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Considerações Iniciais

A ideia de escrever acerca destes pontos básicos essenciais que caracterizam de forma geral o que é o Tai Chu Chuan vem sendo formada ao logo de quase duas décadas de prática ininterrupta.

A começar por meu estranhamento sempre presente da separação do Yoga e do Tai Chi Chuan. Eu sempre pratiquei ambas as linhas, a começar por minha prática ainda anterior de Raja Yoga e após alguma prática de Swásthya Yoga e Hatha Yoga. Ao mesmo tempo percebia a semelhança dos Qi Gong praticados com determinados ásanas do Yoga e mesmo com os pranayamas. A meditação praticamente era a mesma, sentada e, não raro, a partir dos preceitos Budistas, entoávamos mantras.

A confusão aqui impera. O Tai Chi Chuan misturado com Budismo e com traços evidentes do Yoga indiano. Com o passar do tempo e com a prática do Jiu Jitsu um amigo uma vez me diz que o Jiu Jitsu veio da Índia. Eu achei muito estranha esta afirmativa, devido ao pacifismo associado à Índia. Por outro lado minhas pesquisas permaneceram e estudando a arte Vajramushti indiana lá encontramos a origem não só do Jiu Jitsu, como do Kung-Fu e da sequencia de movimentos do Tai Chi Chuan. E para complicar ainda mais, os movimentos são extremamente semelhantes aos ásanas do Yoga.

Porque tantos ásanas? Porque tantos estiramentos, fortalecimento de ossos, tendões e músculos, alongamento e resistência? A resposta é simples: preparar o lutador para o combate. Numa luta caso o adversário tente realizar uma imobilização ou mesmo uma quebra de algum membro, o praticante terá mais condições de não lesionar-se, não quebrar o membro, como no caso de lutas de imobilização. Quanto maior é o alongamento, quanto maior é a capacidade de distensão muscular e esqueletica e nos tendões menor a probabilidade de derrota. Ao ver um dos maiores lutadores de todos os tempos, Rickson Gracie, praticante do Jiu-Jitsu, exibir seu profundo domínio de técnicas de pranayama e ásanas, observamos o fundamento marcial dos ásanas.

Precisaríamos então de tantos ásanas caso o praticante não o faça para preparar-se para o confronto violento do Vajramushti? A resposta também é simples: não. Precisaríamos somente de uma sequencia simples que manteria a saúde dos ossos, tendões, músculos e alongamento suficientes para uma vida de saúde e de longevidade. Ao observarmos grandes mestres de Yoga realizando os pranayamas e ásanas como métodos de conversação da lucidez e da serenidade, da saúde e longevidade, observamos o fundamento não-marcial dos ásanas.

Nestes muitos anos de prática nunca compreendi porque consideram o Tai Chi Chuan uma arte marcial. É realmente incompreensível uma sequencia realizada com tamanha precisão, lentidão e acalmia de espírito (visto ter de iniciar na posição de Wu-Chi ou seja, em samadhi) poder ser usada como instrumento de violência. Esta é talvez a maior confusão associada a este método.

E diante destas confusões todas que muito provavelmente perturbam ou mesmo inquietam muitos espíritos praticantes de Tai Chi Chuan e mesmo Yoga, resolvi ensaiar este texto visando o esclarecimento e alinhamento do assunto.


I – Tai Chi Chuan não é uma arte marcial

Iniciaremos aqui com um dos aspectos mais polêmicos: o Tai Chi Chuan não é uma arte marcial. Por marcial entendemos o que é relativo à Marte, Deus da Guerra, ou as artes de combate a mão armada ou desarmada com finalidades de vencer um combate com um oponente externo a nós.

O Tai Chi Chuan é para uns uma arte marcial, para outros uma meditação em movimento, e para outros ainda, ambas as coisas. Eu considero o Tai Chi Chuan uma arte anti-marcial, uma meditação em movimento e um poderoso método para a saúde e longevidade. Por outro lado, o Tai Chi Chuan não existe isolado de outras práticas que para grande parte dos mestres colocam-na como secundárias ou laterais. Estas práticas são o Qi Gong, o Tao Yin, o cultivo de determinadas virtudes, o cultivo de uma dieta adequada, etc. E aqui está a confusão.

A pessoa quer praticar o Tai Chi Chuan e ao iniciar uma aula começa a fazer posições isoladas, a sentar e praticar Tao Yin ou ainda caminhadas acompanhadas com movimentos lentos, aconselha-se estudos de obras taoistas e vai se aprendendo a “forma” como se chama o encadeamento. No entanto, o ênfase no aprendizado na forma pode ser considerado o mesmo erro do Yoga em geral que dá ênfase ao aprendizado dos ásanas.

A similaridade do Tai Chi Chuan com sequências do Vajramushti indiano são geralmente deixadas em segundo plano e não em primeiro plano como prefiro deixar. Senão vejamos a similaridade dos nomes. Tai Chi Chuan geralmente é traduzido como punho do Tai Chi. Vajramushti é geralmente traduzido por punho Real. O que é senão o Tai Chi senão o Real? São conceitos similares demais para ser coincidência.

O Vajramushti é uma arte de luta a mão armada e desarmada praticada na Índia, considerada por muitos especialistas a mãe de todas as demais artes de luta e a mais antiga. Sua prática foi exercida por Sidharta Gautama (o “Buda”) e foi ensinada a monges budistas até chegar a Da-Mo, o qual levou o método para a China (poucos séculos após Cristo), tornando este método o conhecido Wu-Shu (Gong Fu). Esta é a versão histórica mais oficial que temos.

Os movimentos do Vajra são influenciados por uma série de exercícios potentes de estiramento e fortalecimento de ossos e tendões. Posições estáticas e dinâmicas acompanhados de exercícios respiratórios variados. Na Índia todos conhecem tais exercícios. São os conhecidos ásanas e pranayamas. Na China conhecemos como Qi Gong. O Qi Gong chinês inclui as posições estáticas e dinâmicas e os exercícios respiratórios e energéticos. Até mesmo o Qi Gong interno, que é a meditação microcósmica e macrocósmica apresenta semelhança a circulação do prana ou qi por nadis ou mediridianos visando a liberação de centros (chacras ou tantien) para a despertar a consciência para níveis superiores (samadhi ou estado tai chi) até o cume (kaivalya ou estado wu chi).

Esta arte de luta indiana é executada numa sequência realizada lenta ou rápida, incluindo exercícios a dois no combate a mão armada ou desarmada. A similaridade com a forma do Tai Chi Chuan é totalmente direta. E a similaridade com posições de ásanas do Yoga indiano também.

A execução sequenciada de ásanas coordenadas com a respiração, feitos de forma lenta e contínua sem interrupções está para a forma correta de realização do Yoga conforme as pesquisas do Yoga pré-ariano, o Yoga antigo, pré-clássico, pré-Patañjali.

A essência do Tai Chi Chuan é sua execução lenta, ininterrupta, calma, firme, confortável, forte, com respiração profunda, corpo unificado com o sentimento e com a mente, lúcido no agora que se move; movimento livre de quebras e conexões; movimento livre, no eixo físico, psíquico e parapsíquico, sentindo a energia se movendo e vibrando, cultivando o chi até a percepção de si como unidade cósmica indivisível.

Ao passar para o Yoga, encontramos o mesmo aspecto regente na execução encadeada e ininterrupta dos ásanas. O treinamento isolada dos ásanas equivale ao treinamento isolado do qi gong. O treinamento isolado do pranayama equivale ao treinamento isolado dos exercícios mais respiratórios do qi gong. O cultivo das virtudes e do caminho do meio (Tao), a intenção Yi (amorosidade), a bondade, equivale aos yamas (práticas éticas). O conhecimento de si mesmo e a entrega ao Tao equivale aos nyamas (práticas de autoaperfeiçoamento). Indo mais a fundo e na similaridade, os 8 estados de mutação, ou as 8 fases, equivalem aos 8 angas do sistema de Patañjali. E aqui começa a se aproximar ambos os sistemas.

O Tai Chi Chuan da mesma forma que os Ásanas encadeados pacificamente (desmarcialização do Vajramushti) compõe somente 1 dos 8 estados de mutação ou fases do Yoga.

Assim e diante do que expus, considero de forma clara e precisa o Tai Chi Chuan como a parte desenvolvida dos ásanas executados de forma separada e individual.

A confusão do aspecto marcial com o meditativo do Tai Chi Chuan está justamente na diferença entre o Vajramushti e o Yoga. O primeiro visa a luta externa, ao combate a mão desarmada e armada com um oponente real. O segundo regido pelo princípio da não-violência visa o retorno a uma vida espiritualmente correta e ao contato direto com o universo, Brahmam ou Tao. O primeiro é violento. O segundo pacífico. O primeiro formou mestres em artes marciais. O segundo formou pacifistas.

No entanto o Yoga vem sendo usado (na realidade somente os ásanas e exercícios respiratórios) como exercícios preparatórios do lutador em muitos centros de artes marciais. Muitos lutadores de Jiu Jitsu (sendo esta arte derivada do Vajramushti indiano) praticam Yoga. Por outro lado, o praticante de Yoga não pratica artes marciais. Ele até pode praticar o método marcial mas nunca o utilizará para o combate. O oposto não é válido.

O Tai Chi Chuan é praticado da mesma forma como meditação ou como treinamento marcial por praticantes do Vajramushti chinês, o Kung Fu. Até mesmo a meditação é praticada para acalmar o lutador e torná-lo controlado de si. Já a meditação Tao Yin vinculada ao Tai Chi Chuan é essencialmente espiritual e associada ao taoismo, uma filosofia pacifista por natureza.

Ao examinar estes aspectos aparentemente contraditórios chega-se tranquilamente ao ponto de confusão: o Tai Chi Chuan não é arte marcial. Pois seria tão absurdo assim como considerar arte marcial a execução ininterrupta dos ásanas do Yoga indiano.

A arte marcial chama-se Vajramushti na Índia. Esta arte foi exportada para o mundo dando as demais artes marciais existentes, em suas variações e atualizações por seus mestres. Por outro lado, quando esta arte chega na China vem a chamar Kung-Fu (como conhecemos hoje). A sequência encadeada de ásanas é usada como condicionamento físico, mental e emocional do praticante do Yoga indiano e até mesmo como meditação em movimento. Muitos movimentos são os mesmos do Vajramushti, porém, desmarcializados completamente, a partir da intenção de não-violência. A supressão da violência do método foi feita por mestres pacifistas de todos os tempos sob a orientação direta dos para-mestres (mestres desencarnados do Yoga). O Tai Chi Chuan é a mesma sequencia do Vajramushti executada desmarcializada e modificada para finalidades espirituais no cultivo do Tao.

Assim, desta forma podemos discernir uma coisa doutra. O aspecto marcial está associado à violência, enquanto o aspecto espiritual ao pacifismo próprio dos mestres verdadeiros do Tai Chi Chuan. Poucos foram e poucos existem que são mestres de Tai Chi Chuan vivos no planeta. A maioria ensina o método associada a artes marciais, portanto, à violência, incluindo armas como no Vajramushti. Isto não é Tai Chi Chuan, é um kati de Kung-Fu.

A confusão assim fica dissolvida e situamos o Tai Chi Chuan em seu lugar dentro do Yoga e não das artes marciais. E respondendo a questão confusa: o Tai Chi Chuan é uma arte marcial? Não. O Tai Chi Chuan é uma arte ou método de pacificação íntima profunda (serenização do espírito), portanto, uma arte da não-violência, não-marcial; é um longo ásana realizado em movimento e portanto um dos angas ou fases da ampla sistemática do Yoga.


II – A linhagem do Tai Chi Chuan está equivocada.

A linhagem do Tai Chi Chuan é a árvore genealógica de todos os mestres e alunos que se tornaram mestres e mestres que criaram estilos de Tai Chi Chuan.

1. A omissão da reencarnação dos mesmos mestres como alunos de mestres subsequentes dando prosseguimento ao Tai Chi Chuan. Isto é considerado no Budismo (as reencarnações do Lama).

2. A colocação na mesma linhagem de mestres que faziam do Tai Chi Chuan uma arte marcial quando não é, confundindo a linhagem do Yoga taoista.

3. Muitos mestres na linhagem assim considerados não eram mestres de Tai Chi Chuan mas de Kung-Fu. Ensinavam o falso Tai Chi Chuan com armas e técnicas de combate com aspecto marcial.

Assim, devemos desconsiderar todos os mestres de Kung-Fu que ensinavam o Tai Chi Chuan, pois os mesmos ensinavam o Tai Chi Chuan como katis executados lentamente sem qualquer vínculo com o Yoga. Da mesma forma devemos compreender que alunos de um reencarnaram e se tornaram alunos de outros, o que gerava o estranhamento do estilo subsequente do Tai Chi Chuan aprendido com o novo mestre como ocorreu comigo.

Eu em minha vida passada fui treinado pelo mestre Yang Luchan dentro de uma caverna próximo a vila onde morávamos. Fui um aluno externo à família, quando fui adotado pela vila ainda criança. O que aprendi diretamente com os mestres Rogério Soares e Jackeline Luis não é o Tai Chi Chuan ensinado por Yang Luchan. E desencarnei na China e reencarnei no Brasil onde passei a praticar novamente o Tai Chi Chuan. Naquela época o mestre não ensinava arte marcial alguma, mas o Yoga. Este acesso foi realizado no LAC – Laboratório de Autopesquisa da Consciência e do Yoga (HU-UFSC-Projeto Amanhecer).


III – A maioria dos mestres de Tai Chi Chuan não são mestres, são praticantes ou de Kung-Fu ou de Tai Chi Chuan.

A polêmica que envolve este ponto é total. Um verdadeiro mestre de Tai Chi Chuan é um mestre de Yoga, praticante do pacifismo e da relativa imperturbabilidade interna diante de toda intrusão interna e externa. Vive em sintonia com o grande Tao e com o Tao em si mesmo. Amorosidade, pacifismo integral e afastamento da violência, lucidez, clareza de percepção e ausência de perturbações no campo da consciência (samadhi permanente).

Eu pude ver três destes mestres ao longo de minha vida. Um deles em minha vida passada, mestre Yang Luchan. Os dois outros são mestres de Yoga taoista desencarnados (espíritos, consciências extrafísicas).

O traço característico dos verdadeiros mestres é a não-violência. E a distância destes mestres da violência é muito grande. A violência não chega até eles justamente porque eles estão longe da violência e não permitem que a violência cheguem até eles. Refinam continuamente o Jing passando a Chi, chegando a Shen, passando a Tai-Chi e retornando a Wu-Chi. Vivem no Wu-Chi, no vazio de perurbações e portanto na ausência de agressividade, violência e marcialidade.

Desta forma, os mestres de Tai Chi Chuan apresentam o traço da não-marcialidade, da não-violência, da não-agressão, da paz de espírito, da aura profundamente benevolente e amorosa, lúcida e transparente.

E, para ser um mestre no Tai Chi Chuan antes necessita ser um mestre de Yoga, pois o Tai Chi Chuan é um dos angas ou partes, movimentos, fases, da ampla sistemática do Yoga.


IV – O Tai Chi Chuan se executa  no mínimo de três formas: Yin (Kan), Yang (Li) e no Centro (Chung Tao). 

As três formas de realização do Tai Chi Chuan expressa-se pelo treinamento de Kan-Li em primeiro lugar para depois passar-se ao treinamento de Chung Tao.

Kan é a água. Li é o fogo. Ambas potências ou princípios regem a harmonia de Yin e Yang. Dar ênfase no Tai Chi Chuan – Kan faz com que a pessoa fique com excesso de Yin. Dar ênfase a forma Li, faz com que a pessoa fique com excesso de Yang. A primeira dá ênfase ao trabalho interno, a segunda, ao trabalho externo. A primeira é suave, a segunda intensa e vigorosa. No entanto, deve-se praticar ambas as formas, para encontrar o eixo, o centro do Tai Chi Chuan.

Ao comparar os estilos Chen com o Yang divulgado a partir de Yang Chengfu temos que o primeiro é mais Li e o segundo é mais Kan. O primeiro é mais Yang, o segundo é mais Yin.

Dar preferência a um ou outro faz com que desenvolvamos aspectos desequilibrados de Yin e Yang, o que está equivocado, poís o Tai Chi Chuan é a dissolução do conflito entre Yin e Yang até a suprema polaridade ou unidade.

O mesmo se aplica a meditação microcósmica, onde se atém a circulação suave da energia com excesso de Yin deixando de lado a circulação potente da energia, ou Yang. O mesmo se aplica, uma é Kan e outra é Li. Ambas precisam ser aplicadas. Uma é lenta e suave. A outra é rápida e potente. Uma esfria (aquieta a energia), a outra esquenta (potencializa). Com isto encontramos o centro.

O Tai Chi Chuan pode ser executado também como poder de incitar, ou Trovão, o poder de assentar firme, em quietude e potente, a Montanha; ou ainda o fluir livre e sem resistências, o Vento; a calmaria serena do Lago; a profundidade infinita do Céu e a bela receptividade da Terra. Assim temos os 8 movimentos como possibilidades intencionais do mover-se no Tai Chi Chuan.


V – O ensino do Tai Chi Chuan precisa estar necessariamente dentro do ensino do Yoga e não dentro do ensino de artes marciais como o Kung-Fu.

O Tai Chi Chuan é Yoga e arte não-marcial. O seu ensino dentro de academias de artes marciais desvirtua o propósito do método, que é a não-marcialidade, a não-violência, o pacifismo, a serenidade, a amorosidade, a benevolência.

O longo ásana (posições firmes e confortáveis) do Tai Chi Chuan, composto de mais de dezenas de posições, está dentro de um sistema de 8 métodos interligados, sendo o Tai Chi Chuan somente um dos métodos ou angas do Yoga taoista. Existe mais sete métodos. Todos os métodos foram descritos no Yogasutra de Patañjali e podem ser observados nas 8 fases (trigramas ou pakua).

A forma de execução do longo ásana varia de 3 formas como escrevi acima: Li-Kan-Chung ou Yin-Yang-Centro.

Outra forma de esclarecer este aspecto do Tai Chi Chuan é a equivalência de sua prática ao Yoga que se constitui além dos ásanas assim como o Tai Chi Chuan se constitui além da execução da sequencia de posições (ásanas). Neste aspecto, embora muito mais polêmico, Tai Chi Chuan é sinônimo de Yoga.

A sinonímia de ambos métodos se dá tanto pela forma como se ensina, como pela etimologia. Tai Chi Chuan é o movimento controlado e técnico (daí punho, “chuan”) em direção ao supremo nível de evolução espiritual ou o que está além de toda a dualidade Yin e Yang (Tai Chi). Já o Yoga é a união do princípio de Parkiti (Yin) e Purusha (Yang), na dissolução das perturbações (desarmonias Yin e Yang) em direção à união com o supremo (Brahman, kaivalya).

Por outro lado, em virtude da total confusão do nome “Tai Chi Chuan” estar associado a uma arte marcial (o que já expliquei que é uma incoerência), opto por incluir o Tai Chi Chuan como método (sentido estrito) no âmbito de ser um anga do amplo ashtanga yoga conforme sistematizou Patañjali.


VI – A escola interna (nei-jia) não é escola de arte marcial, mas escola de Alquimia Interna Taoista ou Yoga. 

A escola interna é considerada oposta a escola externa. Isto quer dizer que a escola interna é Yoga e a escola externa é Marcial. A primeira, pacifista, e a segunda, violenta.

O sentido de escola interna remonta à alquimia interna taoista e aqui estamos completamente fundidos ao Yoga. Yoga é a união dos dois princípios masculino e feminino, criativo e receptivo, Yin e Yang, numa condição de fusão e transcendência, na sensação e percepção de unidade microcósmica e macrocósmica.

A alquimia interna taoista ou Nei-Dan prioriza a imortalidade, o cultivo da imortalidade, o kaivalya do Yoga indiano de Patañjali.

O movimento é de dissolução do conflito interno, de toda a dor e sofrimento, de toda desarmonia existente entre Yin e Yang dentro de nós. Este conflito é a luta interna que existe em cada um. Este é o sentido verdadeiro do “Chuan” do Tai Chi Chuan. A luta, o boxe aqui se trata da luta interna que existe em todos nós e cujo objetivo de cada um de nós é dissolver esta luta e encontrarmos a paz interior, a serenidade de espírito e o entendimento do sentido da vida (Tao), retornando ao Tao e ao nosso local de origem.

Este local de origem é abstrato e não-local como é da natureza do Tao. Estar em casa significa estar no Tao. E como o Tao não está em local algum, esta percepção é totalmente abstrata e intangível, e independe se o espírito esta em Terra ou por algum outro local do cosmo, encarnado ou desencarnado. É uma condição microcósmica, interna, causal, abstrata e imaterial. É purusha.

Portanto, praticantes de Tai Chi Chuan necessariamente para praticar Tai Chi Chuan necessitam praticar a alquimia interna taoista. E a alquimia interna taoista é o mesmo que Yoga taoista, ou Tao Yoga. E essencialmente, o mesmo que o Yoga descrito por Patañjali.

Assim, a arte de combate é para vencermos sem violência nossos demônios internos e externos, agressores internos e externos, neutralizando todas estas forças (além da dualidade) sem qualquer uso de violência. E é aqui que entra a complexidade do Tai Chi Chuan como arte de autodefesa isenta de violência e repleta de amorosidade.


VIII – O Tai Chi Chuan é uma prática do Yoga chinês taoista com conexões diretas com o Xamanismo e não é Budismo ou arte marcial.

O Budismo é o ponto de vista indiano fundado por Sidharta Gautama, o Buda. É uma linha de pensamento e prática muito profunda mas o Tai Chi Chuan não está associado ao Budismo, apesar que ter como uma de suas metas a conquista da desperticidade, de tornar o praticante um ser desperto, acordado (Buda).

No entanto, a prática Budista é a prática do mosteiro Shaolin onde Da-Mo levou o Vajramushti e o Yoga indiano para os monges chineses. E aqui vem a confusão dos praticantes de Kung-Fu, que misturam Budismo, Tai Chi Chuan e Kung-Fu numa mesma escola, sem questionar a coerência entre ambas. O Tai Chi Chuan foi exportado do mosteiro Wudang, taoista, escola interna, e nada tem a ver com a escola externa, violenta por natureza.


XI – Inexiste campeonato de Tai chi Chuan. O Tai Chi Chuan é invisível a olho nú e inavaliável por qualquer árbitro. É anti-competitivo pois visa a união de Yin e Yang e não sua separação em melhor ou pior. 

O certo e errado no Tai Chi Chuan é muito relativo. Avaliar uma pessoa pela forma como ela executa o Tai Chi Chuan é tão arbitrário como avaliar a inteligência de um tetraplégico a partir de sua deficiência motora.

Assim, o Tai Chi Chuan exige sim que o praticante realize os movimentos de acordo com determinada sequencia, porém, a sequencia é menos importante do que ocorre no interior do praticante. E o interior é invisível aos olhos de qualquer árbitro competitivo de campeonatos egocêntricos.

O universo interno do praticante é vasto como o Tao. O universo externo do praticante é limitado como a aparência bonita ou feia de um vaso. O Tai Chi Chuan é uma alquimia em movimento, trabalho interno de autotransformação profunda e autoconhecimento direto, refinação de Jing, Chi e Shen, sustentação de Wu Chi no movimento e dissolução na transparência do Tao e hiperlucidez (samadhi).

E tudo isto é inavaliável por qualquer autoridade no Tai Chi Chuan, com exceção da avaliação parapsíquica, extrassensorial, de um verdadeiro mestre de Tai Chi Chuan, que, vendo, pode dizer como está a prática do praticante.


X – A incorporação de armas à prática do Tai Chi Chuan (espada, bastão, etc) nada tem a ver com Tai Chi Chuan, mas com o Kung-Fu (seria então um kati lento com armas).

Este aspecto é o mais contraditório do ensino geral do Tai Chi Chuan, que é a inclusão de armas numa arte que visa a serenização do espírito e a dissolução de toda a violência interna.

Um Tai Chi Chuan praticado com armas não é Tai Chi Chuan, é Kung-Fu, é arte marcial. É violência, é distorção completa do taoismo, o fundamento pacifista e benevolente do método.



XI – O Tai Chi Chuan não é uma atividade de educação física, dança, pilates, meditação em movimento, balé e assim por diante.

A educação física é uma prática relacionada com o militarismo. O Tai Chi Chuan com o Yoga e o não-militarismo, a paz social e a educação integral do ser. O pilates é uma prática fisiológica limitada ao corpo, similar a uma pessoa que só pratique ásanas. É uma derivação limitada do Yoga. Apesar do Tai Chi Chuan ser também uma dança, a Dança de Shiva, não se reduz a isto. Está muito além de todo e qualquer conceito, pois visa permitir que o Tao nos mova em Tai Chi. A meditação em movimento reduz o Tai Chi Chuan de seus benefícios como ásanas e pranayama que é. É uma prática integral que pode condensar todos os angas numa só prática, sendo poderosa sistemática de Yoga. Apesar de expor a delicadeza de uma flor, o Tai Chi Chuan esconde a fortaleza da lucidez contínua e ininterrupta, a potência Jin refinada continhamente em Chi, Shen e Wu Chi. A maciez do movimento esconde a atividade de refinação alquímica interna realizada na prática.

Assim, Tai Chi Chuan pode ser considerado como 1 dos 8 angas ou fases do Yoga conforme a sistematização taoista (I Ching) e do Yoga indiano (Yogasutra). É uma sequencia ininterrupta de muitos ásanas executados de forma calma, tranquila, serena, com respiração profunda e lenta, em total sincronia com todos os movimentos corporais e energéticos, acompanhado de um crescendo de lucidez ao longo da prática, refinações contínuas de Jing, Chi e Shen, interrupções do diálogo interno (perturbações internas), visando a vivência e a prática de liberação de todos os tantiens (centros alquímicos) e no centramento de todos os 3 eixos integrados (eixo físico, psíquico e parapsiquico ou abstrato).


XII – O Tai Chi Chuan não é somente uma arte, é uma ciência de autotransformação, autoconhecimento profundo e de conectividade holocósmica lúcida.

Como toda ciência autoexperimental, somente o praticante poderá após décadas de prática conferir o que disse acima. O Tai Chi Chuan é uma sistemática científica desenvolvida por verdadeiros mestres na antiguidade. Um desses que apareceram no planeta foi Yang Luchan, criador do método que pratico. No entanto, em estados de consciência ampliado durante a prática, fica bastante expressivo sua relação com o xamanismo antigo asiático. Em suas raízes estão o afastamento dos demônios ou espíritos malévolos que provocam doenças, energias nefastas do universo, fortalecimento do espírito, transcendência experimental para fora do corpo, expansão de consciência e estados de psicotranse profundos associados a prática.

A separação histórica do Tai Chi Chuan em relação ao Yoga e em relação ao estudo de si mesmo (Conscienciologia) me gerava uma série de confusões.

O estudo do Yoga e do sistema de Patañjali, do retorno ao sistema organizador do Yoga, é a solução geral para o entendimento do local donde se situa o Tai Chi Chuan e o estudo de si mesmo, a reciclagem completa do caráter, o cultivo da benevolência, da não-violência, do pacifismo e da essência da arte e ciência baseada no princípio da não-luta, da não-ação e da clareza de visão (clarividência e uso de faculdades de percepção e cognição extrassensorial).


XIII - Muitos professores enfatizam que é bom praticar o Kung-Fu porque o Tai Chi Chuan é muito Yin, o que é grave erro e desinformação. 

O Tai Chi Chuan é no mínimo Li-Kan-Chung, água-fogo-centro. Tanto é Yin como Yang e Centro (eixo). Em sua forma Yang é potente e forte, faz suar e fortalece ossos, músculos, articulações e tendões. Em sua forma Yin é transparente, leve, suave e profundo, fortalecendo o espírito e a energia. Em sua forma central, cultiva o eixo, o centro, a lucidez até a hiperlucidez.


XIV – A forma ensinada pela família Yang e divulgada ao mundo é o falso Tai Chi Chuan e não é o ensinado pelo gran-mestre Yang Luchan.


O Tai Chi Chuan ensinado pelo gran-mestre Yang Luchan aos manchus era um Tai Chi Chuan falso, parcial, aguado, fraco, o pseudo-Tai Chi Chuan. O Tai Chi Chuan verdadeiro é muito mais complexo e está enraizado profundamente na alquimia interna taoista, no pacifismo e no princípio da não-luta, a não-ação.

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Este ensaio faz parte de um conjunto de ensaios sobre Yoga.



19.11.15

Samadhiologia: Esboço Inicial sobre a Ciência do Samadhi

Fernando Salvino (M.Sc)


Primeira parte:

I - Das Considerações Iniciais

O assunto Samadhi vem sendo mistificado desde muito tempo atrás, em muitos casos para tornar o "mestre" (ou falso mestre) uma figura santificada e superior ao insignificante iniciante do Yoga. O que precisamos ter em mente com toda nossa honestidade é que o samadhi é experiência universal e acessível a toda inteligência predisposta, não necessitando da ampla técnica do Yoga como acreditam muitos.

O samadhi sem semente, ou o samadhi direto, não raro como todo fenômeno parapsíquico e sua natureza de imprevisibilidade, ocorre quando a pessoa menos espera, em situações pouco convencionais. Obtive uma vez um samadhi desta natureza quando, contemplando a natureza da praia do Luz, em Imbituba/SC, após uma sessão intensa de surf de 8h seguidas, desde a manha até o fim da tarde, ininterrupta, pude, sentado no costão, compreender a unidade de tudo e a convergência de tudo para um único ponto. Foi um instante, um insight fulminante, para-intelectual, além de meu pensamento, adentrei no samadhi e acessei swadhyaya.

Porém, esta experiência é vivenciada por muitas pessoas, não raro, pessoas comuns que nem mesmo conhecem o Yoga e sua avançada sistemática para o samadhi. O samadhi espontâneo, não construído, até mesmo você pode ter vivenciado em algum momento de sua vida, mesmo que tenha vivenciado por segundos, míseros instantes, no vislumbre da possibilidade de ausência total de perturbações e sofrimento, e na vivência do êxtase da unidade viva e divina. E por mais estranho que possa parecer, o divino é um aspecto indissociável do samadhi, pela maravilha da vida sentida e compreendida neste instante que se situa além do espaço-tempo desta dimensão gravitacional do sofrimento humano.

Assim, iniciarei este ensaio situando o samadhi como uma experiência e mais que isso, um estado de profunda estabilização consciencial e lucidez contínua, serenidade, paz de espírito, ausência de ansiedade, angústia e todo sofrimento associado a memória, desejo ou aversão. É o estar aqui e agora integralmente em paz de espírito e êxtase. Porém esta paz de espírito e êxtase como venho estudando em mim mesmo e nas aulas de Yoga com meus queridos alunos, varia como numa escala de profundidade.

O samadhi então não é o mesmo samadhi para todos. Há níveis de samadhi dentro de um espectro que vai desde a dissolução inicial da flutuação da mente (interrupção inicial do diálogo mental interno) até a fronteira entre o samadhi holocósmico e o kaivalya. O samadhi é o espectro experiencial que varia de 0 a 100 (por exemplo), nesta hipótese inicial de estudo. O 0 neste caso, é a fronteira entre o primeiro vislumbre de paz de espírito e interrupção do fluxo de pensamentos-emoções e a perturbação interna. 100 é o último estágio do samadhi antes do kaivalya (holofusão propriamente dita). Da mesma forma, kaivalya também não é o mesmo kaivalya para todos. O kaivalya do ser encarnado (na condição intrafísica, orgânica) é diferente do kaivalya do ser desencarnado (na condição extrafísica, inorgânica). Até mesmo na condição extrafísica, o kaivalya pode ser o kaivalya do ser que ainda persiste no uso do veículo psicossoma (corpo astral) ou o kaivalya daquele que está livre das reencarnações, o qual usa da consciência livre ou o espírito puro na holofusão direta com Brahman ou Tao.

Patañjali não pode esclarecer estes aspectos no Yogasutras, que são aspectos mais específicos e emergentes da prática da meditação profunda. A vivência do samadhi aponta para uma escala progressiva e ascendente de holofusão. O Yoga taoista chama isto de 5ª regulação, ou a regulação do espírito (shen) até a refinação de shen (tai-ji) à wu-ji (kaivalya). A samadhiologia visa o entendimento espectral do samadhi e a compreensão do ponto onde se situa kaivalya.

Esta forma de lidar com o samadhi e com o Yoga evidenciam que estamos agora adentrando na ciência do Yoga como foi o intento de Patãnjali desde sua obra de arte, o Yogasutras. Aqui não iremos dar importância aos ensinamentos místicos e confusos dos falsos mestres que não exploram o assunto. Penetraremos no campo sem medo e com coragem de compreendermos esta vivência essencial para a humanidade e para a resolução definitiva de nosso sofrimento em direção a uma vida de maior êxtase e serenidade.


II - Da Definição Básica de Samadhi

O Samadhi foi assim caracterizado no compêndio de ciência do Yoga, chamado Yogasutras redigido pelo mestre indiano Patañjali, como objetivo da meditação intensa ou profunda (Samyama) e o começo do Kaivalya. Assim a meditação intensa visa produzir o samadhi e minimizar as perturbações. No entanto, como pesquisadores do Yoga, sabemos que o objetivo da sistemática do Yoga não é o samadhi. O Samadhi é a condição inicial do Yoga, ou melhor, seu primeiro nível. Este nível porém não é tão simples como imaginamos ao estudar a obra do mestre.

Samadhi é engloba uma ampla vivência, que varia em:

1. Intensidade
2. Profundidade
3. Transcendência
4. Natureza do saber acessado
5. Posição no espaço-tempo-dimensão-consciência-energia
6. Veículo (condição de coexistência holossomática da consciência intrafísica, extrafísica ou projetado)
7. Paz interna e Serenidade.
8. Proximidade ao kaivalya

Retornamos a definição de Yoga dada por Patãnjali:

Yoga é o recolhimento dos meios de expressão da mente (consciência). Ou noutra forma de compreendermos, o Yoga é a dissolução ou suspensão das ondulações da consciência ou das oscilações de lucidez. Podemos ainda compreender o Yoga como a conservação do estado de lucidez contínua a partir da dissolução da perturbação primária, ou a falta de sabedoria (no caso, a sabedoria interna e quanto ao universo).

Os meios de expressão são 5, na forma perturbada ou saudável: evidência, imaginação, inventividade, sono e memória.

A raiz de todas as perturbações é a "falta de sabedoria". A falta de sabedoria é decorrente da distorção da percepção clara da realidade, onde o sujeito confunde o puro com o impuro, o eterno com o transitório, bem estar no desagradável e individualidade naquilo que não é individual. A partir desta confusão ocorre o desejo, a aversão, a egoidade e o apego a vida como perturbações secundárias.

O Yoga visa dissolver a perturbação primária, ou a falta de sabedoria, a partir da correção da percepção correta da realidade. A busca do saber interno (dissolução da falta de sabedoria) associado à disciplina e ao desapego e a confiança na orientação interna (autoentrega) tem a finalidade de produzir o samadhi. E aqui chegamos no samadhi, dentro da concepção da ciência do Yoga.

Assim, a realização do Yoga ou sua efetivação prática se dá através de 3 pressupostos onde um é pre-requisito do outro:

1. Tapas: disciplina, perseverança no recolhimento (Yoga) e desapego (de tudo quanto atrapalhe o caminho do Yoga).

2. Swadhyaya: autoestudo, autopesquisa, autoinvestigação, busca do saber interno.

3. Entrega ao Içvara: autoentrega, viver de acordo com o saber interior, autorientação baseada no saber interior decorrente de swadhyaya.


III - Das Questões Básicas quanto ao Samadhi

O samadhi enquanto fenômeno é tão abstrato que necessita de parâmetros para que possa ser auto-estudado. Algumas questões:

1. Como você sabe que alcançou o samadhi?
2. O que é realmente o samadhi enquanto fenômeno parapsíquico?
3. O que ocorre com o corpo, com as emoções, com as energias, com a respiração, com o espírito durante o curso do que chamamos samadhi?
4. Quais as sensações subjetivas gerais do vivenciador do samadhi?
5. Quais as conexões entre consciência e holocosmo durante o curso do samadhi?
6. Qual a natureza da consciência sem pensamentos no curso do samadhi?
7. Porque o êxtase transcendental aparece no curso do samadhi?


9.11.15

Agradecimento aos 130.000 acessos!

Agradecimento aos 130.000 acessos!

Em 2003 comecei esta tarefa aparentemente simples de dar a público o que ficava antes restrito ao HD de meu computador e cadernos de pesquisa e anotações. A tarefa iniciou com a publicações usando o recurso básico do word e após a conversão do arquivo em pdf para download. A burocracia começou a se tornar empecilho para a dinamização das publicações. E em 2009 as publicações começaram a ser redigidas online através dos recursos do sistema do blog. O blog então se tornou a revista consciencia onde constam todas as minhas publicações, vivas e integrais. Os textos não são revisados e são publicados organicamente, vivos e sem revisão de texto. É como um parto, sai do jeito de sai. É a maiêutica pura.

O movimento de autopesquisa tomou proporções muito além do que tudo que vislumbrava para minha vida. A cada ensaio publicado tento tomar a forma do movimento que em mim se faz todos os dias, tanto em meu trabalho clínico como parapsicólogo e tendo já facilitado centenas de regressões a vidas anteriores com meus pacientes, como de todo o movimento interno que aprendo e vou me aprimorando, refinando. A cada encontro com meus pacientes é um aprendizado profundo de autenticidade e não-violência, amparo e expansão de consciência, orientação evolutiva e autosuperações profundas. Cresço junto com todos os meus pacientes. Os ensaios expõe minha vida naquilo que considero o mais essencial.

A primeira área é o movimento de reintegração parapsíquica integral, regeneração geral de si mesmo, refinação de traços e tendências, refinação de meus aspectos mais rudes e violentos até o cume do samadhi ou a dissolução de todas as minhas perturbações interiores. Os ensaios mostram o meu esforço continuado, ininterrupto por mais de 1 década, com disciplina e constância, num movimento essencialmente solitário de refinação interna até as experiências mais recorrentes de samadhi que me acompanham nos últimos anos. O encontro do Yogasutra, as rememorações profundas de minha vida na China e de meu contato direto com o mestre Yang Luchan, o meu envolvimento cada vez mais coerente e dedicado à prática e o estudo do Yoga e das experiências de espectro holocósmico associado a uma possível "samadhiologia" ou a pesquisa científica do samadhi, dentro da função psi-ómicron. O primeiro campo, Yin, é o Yoga.

A segunda área é essencialmente o cosmo e tudo o quanto podemos vislumbrar como realidade máxima universal. Chamei também de Holocosmologia, a realidade total, integral de tudo quanto podemos vislumbrar como realidade e existência, na coesão indivisível de espaço-tempo-dimensão-energia-inteligência. Holofusão, conselhos de calibração, amparadores de espectro holocósmico, amparadores extrafísicos do Yoga, do autoestudo técnico e científico... E o estudo e prática do Tai Chi Chuan em sua natureza essencial de Yoga e como método profundo de aprendizado do samadhi em movimento e da transparência (wu-ji). O segundo campo, Yang, é a Holocosmologia.

Ambos caminham juntos, formando uma unidade indivisível. Através do Yoga vislumbramos a realidade total, kaivalya, na união com Brahmam (Tao), observando a divindade  e a maravilha da existência, no êxtase sereno proporcionado pela dissolução do samadhi de volta a vacuidade universal e holocósmica do wu-ji (holofusão). E através da Holocosmologia começamos a compreender mais o "lugar" onde estamos vivendo.

Om Namashivaya a todos!

Fernando Salvino.







11.8.15

Sobre o Princípio Fundamental do Yoga: Primeiras Considerações


Ideograma chinês "Wu",
correspondente ao Wu (xamã), ou
o intermediário entre Yin e
Yang, dimensão física (Terra) e
dimensão extrafísica (Céu).
Fernando Salvino (M.Sc)
Parapsicólogo, Psicoterapeuta
Prof. Tao Yoga/Tai Chi Chuan


O que difere essencialmente o Yoga de toda e qualquer outra sistemática desenvolvida pela humanidade?

O que torna o Yoga diferente do Pilates, da Ginástica, do Malabarismo, da Psicologia, da Parapsicologia, da Conscienciologia, da Projeciologia?

A resposta é simples: o princípio.

O Yoga para ser Yoga necessita partir de um princípio fundamental, que na China chamou-se de "Yi" e na Índia de "Ahimsa".

"Yi" é o princípio de amor, de benevolência, ou o princípio da não-luta, princípio da não-ação. "Ahimsa" é o princípio da não-violência, portanto, de amor, de benevolência.

Para que seja Yoga então, partimos de "Yi", de "Ahimsa".

Então que inicialmente refina-se Yi, para posteriormente refinar-se Jing em Chi, para após Chi em Shen, e Shen em Wu-Ji. Assim temos as 4 refinações que incluem as 5 regulações dentro dos 8 movimentos metódicos, o pákua (8 movimentos), ou ashtanga (8 etapas).

Outra diferença é a sistemática integral que abarca a complexidade do ser humano, tomado por inteiro, em suas variantes interna e externa, com isto compondo os trabalhos interno e externo.

Ao trabalho externo chamamos Wai-Dan-Gong (alquimia externa). Ao interno, Nei-Dan-Gong. Ambos representam Yang e Yin, fora e dentro, sendo Nei-Dan o mais difícil. Nei-Dan correponde a Dhyana, a meditação profunda exposta por Patañjali no Yogasutra.

23.7.15

O Futuro da Parapsicologia: homenagem a todos os meus amigos Parapsicólogos!

Fernando Salvino (M.Sc)
Parapsicólogo e Psicoterapeuta


Em 1953, na Holanda, aconteceu o I Congresso Internacional de Parapsicologia, razão pela qual se instituiu tal dia o Dia do Parapsicólogo. Assim ergue-se no planeta uma ciência capaz de trazer a campo científico casos, fenômenos e questões antes restrita ao campo metafísico e religioso. Até então o Espiritismo dominava o cenário com as teses kardecistas, e com a investigação parapsicológica pode-se discernir ciência de religião, e separar uma coisa doutra.

O perigo da separação é que a Parapsicologia foi pouco a pouco se tornando uma ciência chata. Uma mesmice tomou sua vida e uma estagnação geral reduziu sua significância enquanto ciência que pretendia comprovar a sobrevivência após a morte, a alma, fenômenos incomuns e os ditos espirituais e assim por diante. A antiga Metapsíquica e seus representantes já teriam feito tal tentativa e com extremo rigor, conseguiram chegar em resultados surpreendentes, até que Sir Oliver Lodge, publicamente assume estar a sobrevivência comprovada cientificamente. A tentativa de comprovação persiste na Parapsicologia com a pesquisa da reencarnação em crianças através de Ian Stevenson e tantos outros que procuram comprovar, tanto por pesquisa qualitativa como quantitativa, neste ultimo caso, a pesquisa da Transcomunicação Instrumental. A Parapsicologia então torna-se cobiçada, pelo mistério, pelo desconhecido e entra em academias de ciência sendo contaminadas pelo paradigma materialista e reducionista. Da mesma forma religiosos a apropriam e a distorcem a seus conceitos visando a comprovação de suas teses religiosas.

Em síntese, tivemos muitos avanços?

Que ciência é esta a Parapsicologia? É uma ciência?

Séculos de pesquisas se acumularam e quais os resultados?

Qual o propósito desta ciência? Para que pesquisar fenômenos inomuns ou paranormais? Qual o sentido de existência de tais fenômenos?

Os avanços ocorreram no campo específico da pesquisa científica da projetabilidade da consciência para fora do corpo, realizada por Hereward Carrignton e Sylvan Muldoon, a partir especialmente de 1929, apesar de Carrignton já ter tido experiências com o Yoga e com o interesse no campo da pesquisa científica da projeção. Os teosofistas nesta época estavam em voga e divulgaram no Ocidente o Yoga de Patãnjali, Raja Yoga. Metapsiquistas curiosos começaram a praticá-lo e a se interessar pelos pressupostos do Yoga e suas relações com a Metapsíquica e com os fenômenos metapsíquicos (ou parapsicológicos).

A sucessão de pesquisas nesta área culminou com a proposta de uma sub-área da Parapsicologia, a Projeciologia e suas relações com a investigação da consciência. A consciência então torna-se o centro da pesquisa, pois constata-se que a mesma não é o corpo ou o cérebro, e pode viver e sobreviver fora dele. A pesquisa da EQM - experiência de quase morte também vai fundamentar a tese Projeciológica e desafiar de uma vez por todas as teses materialistas, axiomáticas infundadas.

Com o retorno da pesquisa da consciência multidimensional, retorna-se também a três linhas de pesquisa específicas do oriente, em especial Tao, Samkhya e Yoga. O Budismo também torna-se campo de retorno, visto ser a meditação um potente método científico para o estudo da consciência.

A Parapsicologia vai se tornando então gradualmente, o estudo da consciência em seus múltiplos estados de consciência.

Nos anos anteriores, as minhas pesquisas se intensificaram por intermédio de esforços disciplinados e contínuos de autoexperimentações parapsíquicas, donde comecei a acessar um espectro de experiências que ultrapassavam o psi-gama, psi-kapa e psi-theta da Parapsicologia Geral. Dei a esta função o nome de psi-ómicron, visto que tais experiências estavam associadas a estados holocósmicos de consciência.

Os estudos das linhas acima relevaram que a ciência da consciência e dos fenômenos parapsíquicos já existia de forma desenvolvida na Índia e China e que tais linhas possuiam métodos científicos para o desencadeamentos e autodomínio dos fenômenos, além de que existia uma referência filosófica que dava sentido a tal campo fenomenológico em nossas vidas.

Assim, a Parapsicologia contemporânea é essencialmente o retorno ao saber oriental, em especial às linhas acima citadas. E com a função psi-ómicron assim descrita (aconselho ler os ensaios sobre tal função) temos o ápice do cientificável, o fim da ciência e o início da transciência, ou como chamei de Holocosmologia.

O futuro da Parapsicologia Avançada é a investigação cosmológica através das funções psi de largo espectro, ou como chamei sinteticamente de psi-ómicron.

E é com sincera esperança e paciência para aguardar o momento adequado, no futuro teremos máquinas capazes que nos fazer projetar para fora de nossos corpos (como na hipótese que lancei do Projeciotron), máquinas telepáticas (como na hipótese que lancei, o Telepaticon), naves espaciais capazes de operar em nível do hiperespaço e com isto teremos máquinas capazes de nos transportar através do hiperespaço, livre das leis do espaço-tempo ordinário dominado pela velocidade da luz. O Yoga passará progressivamente a ser o método universal para a dissolução do sofrimento e para a autoregulação permanente, e a psicoterapia de pouco a pouco vai perder sua razão de existência (as pessoas vão ficando mais saudáveis e lúcidas). A religião e suas doutrinas perderão o sentido e as instituições terminarão. Os muros dos conceitos serão progressivamente dissolvidos pelas experiências de samadhi mais generalizada. A expansão e o contato pacífico com a comunidade universal de seres do universo (alienígenas) será vivida. A Terra passará por processos progressivos de cosmoinclusão junto com a humanidade. Até que passará a ser parte integrante de uma cosmossociedade, a sociedad universal, o Estado Cosmocrático de Cosmodireito. Com isto, poderemos aprender uns com os outros e o amor universal será o caminho e o sentido de tudo que fazemos. E este princípio geral universal, já poderá ser vivido e entendido por Parapsicólogos e outros de linhas científicas afins, para que possamos compreender as experiências psi-ómicron (samadhi, kaivalyam, projeções mentais e exprojeções, cosmotelepatia, etc) e ultrapassar os muros que nos dividem.

O amor é o caminho e o sentido. É o princípio do Yoga total, de retorno a holofusão e a dissolução da doença em direção à saúde e felicidade permanente.

Parapsicologia sem amor, não é Parapsicologia: é arma.



  











24.6.15

Experiência Cosmointermissiva: Ensaio sobre o Encontro com a Base Estelar de Adaptação e Monitoramento da Terra, a Inteligência-Inseto e Beleza Universal

Representação do hipotético "insectóide"
Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo e Psicoterapeuta
Professor de Tao Yoga - Tai Chi Chuan e Livre Pesquisador da Consciência 
Espaço Terapêutico Tao Psi
Projeto Amanhecer - HU - UFSC
LAC - Laboratório de Autopesquisa da Consciência



I - Considerações Iniciais

A ficção científica adora vislumbrar como seriam as formas alienígenas. Eu mesmo quantas vezes deparei-me refletindo sobre como seriam alienígenas que se aparentassem de forma completamente diferente com o que estamos habituados a imaginar. No entanto nunca sequer poderia imaginar a experiência que abaixo descrevo, ocorrida em meio a uma retrocognição de laboratório realizada no LAC - Laboratório de Autotopesquisa da Consciência, com o testemunho dos pesquisadores Guilherme Loureiro (M.Sc), Rosamary Xavier e Rodrigo Bastos (M.Sc).

A intuição mais ou menos vaga sobre a existência do proposto Conselho de Calibração e de uma organização similar a ONU com abrangência interplanetária para além, foi proposta no ensaio escrito muitos anos atrás, intitulado: "A Gênese do Cosmodireito: Ensaio sobre os Fundamentos da Ordem Cósmica", onde expus a existência do Direito Interplanetário e assim por diante. A sede de tal ONPU, seria no espaço cósmico, reproduzindo o ecossistema de cada planeta de forma a unir povos, como em uma estação interplanetária pluri-habitada pelos povos do universo.

A retrocognição, ou o acesso direto à memória antiga, neste caso, de um dos meus últimos períodos entre-vidas, foi o método usado para vasculhar-me em autopesquisa, visando o entendimento de aspectos pouco compreendidos até então. O sentido de ter nascido em minha família e especialmente com meu pai, e minha ligação com a Alemanha (parentesco hereditário), aversão a campos nazistas, métodos de tortura e assim por diante. Ao mesmo tempo que tais traços se mostram em fase de cicatrização o oposto transcendental evidencia o paradoxo Yin Yang em minha vida, ora intrafísica, ora extrafísica, ora nas vidas físicas humanas associadas ao sofrimento e a felicidade em ritmo oscilatório, ora nas vidas extrafísicas no campo do transcendente e no êxtase holocósmico.

O presente experimento retrocognitivo de laboratório apresenta algumas características básicas:

1. É realizado em grupo treinado e especializado no campo da autopesquisa científica e parapsíquica, todos parapsicólogos (no caso, todos treinados por mim) em local reservado, sala fechada e energeticamente preparada para o tipo de atividade.
2. O grupo carrega em si uma profunda interação, amizade, ligação afetiva, respeito mútuo, confiança acima do comum, e exercício da criticidade e liberdade, dentro dos critérios da autopesquisa científica e da intencionalidade benevolente/amorosidade interpessoal. Tendo estes fundamentos práticos exercidos, ocorre um acoplamento grupal isento de conflitos e potencializando a amparabilidade em alto nível.
3. Todos se autopesquisam em profundidade, recorrendo aos meios científicos da metodologia, às ciências da consciência e à ciência do yoga como referência epistemológica para a autopesquisa profunda, parapsíquica.
4. A autopesquisa se move em grupo, apesar de individual. Em dado momento surge a necessidade do mergulho ao passado de forma a compreender o presente e dissolver perturbações associadas aos apegos a dores ou situações prazerosas não vividas no momento.
5. O sujeito autopesquisando deita em maca, e inicia-se a relaxar-se, a se entregar ao experimento. O experimento é coordenado pelo facilitador que potencializa a focalização do autopesquisando no curso da experiência (continuum experiencial). O método de indução é o da hipnoterapia na condução do relaxamento a partir de comandos dados pelo facilitador, que, alterando sua consciência em conjunto com o autopesquisando, vai aprofundando a experiência até o acesso retrocognitivo propriamente dito.
6. Inicia-se o experimento. Os relatores registram a experiência ao mesmo tempo que sentados relativamente afastados, tornam-se observadores desacoplados ao campo, realizando sessões recorrentes de circulação da energia, sustentação do campo e conexão com equipe extrafísica de amparadores.
7. Finaliza-se o experimento e passam ao dialogo, feedbacks, analise, sintese e fechamento da experiência. A duração temporal entre um experimento e outro podem durar meses de metabolização da experiência até a assimilação total do conteúdo.

É comum em meus experimentos retrocognitivos os relatos saírem em blocos de sínteses de informações, visto a dificuldade em colocar em palavras as experiências cosmointermissivas, especialmente, meta-transcendentes e profundamente espirituais.

De qualquer forma, torno abaixo público o relato do experimento controlado de laboratório de forma a também contribuir com a pesquisa científica da consciência e com o leitor para que possa inspirar-se nos experimentos psi-ómicron, meta-holotrópicos, além de tudo o que poderia ver e viver aqui neste planeta. Como diria Uchoa, um verdadeiro mergulho no hiperespaço.

II - Do Experimento

11/07/2015
Local físico: LAC - Laboratório de Autopesquisa da Consciência (Projeto Amanhecer / HU / UFSC)
Equipe: Fernando Salvino (M.Sc) - autopesquisando. Guilherme Loureiro (M.Sc) - facilitador-focalizador do experimento. Rosamary Xavier (Bel.) - suporte energético e relatora. Rodrigo Bastos (M.Sc) - suporte energético e relator.

"Estou numa base bem longe... metálica, eles tem um rosto diferente, são transparentes, quase sem forma definida [neste momento ocorre no laboratório uma expansão do ambiente]. Ali se faz a adaptação, plantas, metal, construção, não é uma nave, é uma base bem longe daqui, faz o monitoramento da Terra, painel gigante, tecnologia como se fosse um vidro.

Estou num ambiente de adaptação, eles flutuam dentro dessa base, parece como se fosse um inseto louva-deus inteligente, escamas na cabeça. Ala de adaptação. Linguagem impossível de entender. Olho de inseto, com antena, são  grandes, muito inteligentes, antenas muito inteligentes, muita agilidade dos membros, linguagem parapsíquica. 


- De onde eu sou? [comunica-se telepaticamente e ao mesmo tempo escuto a informação, compreendo e escuto a lingua incompreensível usada]

A minha imagem não causa estranhamento. Adaptação, ambiente onde todos ficam e dá para ter certa interação. Tem um com a cabeça bem grande, bem fino, como se fosse um reconhecimento, lugar muito grande, teto é uma tela de energia eletromagnética, dá para ver as linhas de campo. 

"Zíper", roupa tipo plástico, confortável, bem fino chacra coronário aberto, Saturno, anéis, energia cósmica, gratidão... consigo quase sentir a consciência que permeia tudo, a eternidade que sempre existiu e vai existir, a beleza de tudo e é de lá que vem a beleza..."

III - Das Considerações Finais

Após o experimento sinto-me em êxtase cósmico, samadhi real, expansão cosmoconsciencial retrocognitiva e que se tornou uma expansão no momento atual, sem tempo, sem espaço, sentindo a serenidade causal espiritual profunda, ausência total de perturbações e preenchido de uma confiança absoluta no universo, no passado, no futuro e no destino comum e maravilhoso a todos.

A beleza de tudo e a fonte da beleza brota da fonte universal de amor cósmico absoluto, o Deus não-humano, o vazio universal cheio de vida.

13.6.15

Experimento de Visão Remota em Meditação Profunda: Ensaio sobre as 3 inteligências supra-humanas.

Dr. Fernando Salvino
Parapsicólogo e Psicoterapeuta
Pesquisador da Consciência e Holocosmologia
Professor e Pesquisador do Tao Yoga - Tai Chi Chuan
Espaço Terapêutico Tao Psi (clínica particular)
Projeto Amanhecer - HU - UFSC (clínica voluntária)
Coordenador do LAC - Laboratório de Autopesquisa da Consciência (PA-HU-UFSC).



Considerações Iniciais

O presente ensaio parte de uma única experiência que foi fruto de reflexões profundas acerca da existência de consciências realmente capazes de nos orientar evolutivamente. As reflexões gravitam em torno da questão da evolução, ou do autoaperfeiçoamento infinito a que nos damos a gratidão de retribuir à existência.

O ser humano em geral parece ter uma tendência em atribuir evolução aos seres além físico, aos espíritos e mesmo aos alienígenas. O que não é tão inverdade, mas isto não significa que em Terra não podemos encontrar tais seres encarnados e envolvidos com tarefas de assistência humanitária.

Os seres mais evoluídos do planeta, onde estão? O que estarão fazendo? Como vivem? Como são? Quantos são? Em minhas práticas de meditação profunda, pude numa experiência "ver" três destes seres supra-humanos, mas que nada tem de super-homens como os vemos nos desenhos animados. E suas formas de viver são tão comuns e anônimas que poucos se darão o trabalho que imaginar que os seres mais evoluídos do planeta estarão envolvidos com tais atividades e completamente fora de qualquer atividade acadêmica ou intelectual, ou ainda relacionado com algo científico ou supostamente avançado.

A experiência me mostrou neste caso que existem poucos seres evoluídos no planeta que possuem um alto nível de entendimento da realidade e que tem condições de nos orientar verdadeiramente. E como eles nos orientam? É verbalmente? Por sonhos? Como funciona isto?


Agricultura em montanha na China
1. O agricultor supra-humano

O homem, agricultor, aparece na imagem mental em visão remota num campo de agricultura em alguma montanha na China, completamente anônimo, com seus mais ou menos 40 a 50 anos de idade, biotipo baixo e magro, realizando um trabalho comum com um instrumento parecido com um "ancinho", de chapéu típico e fingindo estar realizando o trabalho de agricultura, o homem atua só com exteriorização de energia, modificação vibracional do campo da Terra e movimentação do vento (correntes de vento). A potência energética do homem ultrapassa qualquer Qi Gong que possamos pressupor, onde o mesmo realizava com sua movimentação consciente de energia (Qi) a movimentação conjunta do vento. A assistência era através deste modo silencioso. A sua intenção e volição associada ao controle do movimento conjunto do Qi e do vento estavam seguindo um comando inteligente, onde o homem sabia o que estava fazendo. É a potência Yang manifestando-se.



2. A dona de casa supra-humana

A mulher, dona de casa, exalava seus 30 a 40 anos de idade, vivendo atualmente na região da Europa, parecendo ser Irlanda ou país similar, residindo numa fazenda afastada, mãe de dois filhos, um marido que sabe quem ela é e a sustenta financeiramente, ela, não trabalha, e uma babá lúcida que cuida das crianças e faz a parte maternal (pois a mulher transcendeu a maternidade). A mulher atua cantando no campo, dançando, sozinha. Sua melodia regula vibratoriamente a Terra. A beleza da melodia era tamanha que ela movia a energia através do canto, num profundo balanço Yin, suave, beneficiando todos os seres indiscriminadamente. É a potência Yin manifestando-se. Sua presença é similar (e poderia ser a mesma consciência?) a uma amparadora que apareceu anos atrás que ensinou-me a ciência do amor a partir de seu ensinamento simples: "o amor é o caminho e o sentido, é simples assim, mas difícil de entender".


3. O monge lúcido

O terceiro visto é um monge budista, com seus 50 anos de idade aproximadamente, vestido com as roupas clássicas similares aos do budismo tibetano, com um grupo de monges em situação de aula aberta, na provável na região do Nepal ou por perto. Ele não é famoso e tem um pequeno grupo de monges que aprendem a ciência que ensina. É nível avançado para nós. Nós seriamos superficiais comparados a este grupo. O homem usa o budismo como ferramenta para sua tarefa. É desconhecido e vive isolado num monastério pouco famoso em algum canto da Ásia. Sua lucidez, força presencial, benevolência e grau de entendimento e sabedoria estão acima do que compreendemos. Ele atua no nível do discernimento. É a potência da meditação manifestando-se.


Considerações Finais


A experiência me trouxe a resposta aos meus questionamentos sobre o contato com os míticos mestres no planeta, ou aqueles que poderiam verdadeiramente me ensinar a ciência do Tao, o conhecimento verdadeiro. O acesso a suas presenças é tão obscuro e oculto que ao mesmo tempo estão o tempo todo disponíveis para tal acesso. O simples "ver" suas existências já provoca em mim profundas alterações e sincronizações de entendimento quanto a natureza da evolução. Apesar de meu contato com eles ter sido por visão remota, a sensação de realismo e veracidade da experiência psi-gâmica por si evidencia para mim o caminho correto que sigo, ainda engatinhando e aprendendo a falar. A experiência mostrou que estes seres nos orientam de forma anônima e impessoal.

Dos três, o monge é o único que parece possível de ser encontrado. O homem e a mulher estão dissolvidos no anonimato e não poderia dizer qualquer referência coerente sobre suas localizações. Ele, em algum lugar das montanhas da China, ela em alguma fazenda em algum país europeu. O monge faz parte de um pequeno monastério também em algum local que me parecia o Nepal, mas não tenho certeza. Ele está lá, e é mais acessível para ser achado. Mas convenhamos, a tarefa é quase beirando o impossível. É como procurar agulha em palheiro. Ele não tem fama, pois a fama o atrapalharia. Seu grupo é lúcido e portanto, não espalha e não divulga.

O encontro com seres notáveis como estes me dão a prova de que por trás do caos existente no planeta, manifesta-se a ordem inteligente. Suas naturezas apesar de imensamente diferentes é similar na amorosidade, benevolência e ato assistencial humanitário. Estão além da ciência e já entendem sem precisar pesquisar. Estão numa categoria acima dos espíritos de ciência,  e já podem pertencer mais a categoria dos espíritos sábios. Eles sabem portanto não precisam mais pesquisar. Já entendem a verdade do amor.

A minha conclusão final desta profunda experiência é:

Eles estão aqui!

30.3.15

Breve Introdução ao "Ensaio Geral sobre Fundamentos de Holocosmologia"

O Ensaio Geral sobre os Fundamentos de Holocosmologia significa o meu intento máximo nesta vida materializado sendo a síntese de todo o aprendizado que passei em uma longa trajetória existencial com dezenas de vidas anteriores rememoradas e com alguns períodos entrevidas acessados, assim como experiências projetivas, parapsíquicas, samádhicas e no amplo espectro da deflagração da função psi-ómicron.

O(a) leitor(a) atento(a) deve ter percebido a continuidade de publicações a respeito do Yoga e das tentativas de relação com a Holocosmologia. O Yoga aqui é tratado como a sistemática geral para a auto-calibração (samadhi) em direção à holofusão (kaivalyam).

Uma das razões de tal feito é mostrar que aquilo que chamamos de ciência avançada da consciência, e inclui a Parapsicologia, Projeciologia, Conscienciologia, Psicologia Transpessoal e outras, já é campo conhecido na Índia e China, em suas investigações através e respectivamente no Samkhya, Tao e Yoga, este último como método comum adotado por ambas linhas. O paranormal era uma das metas claras do Yoga, chamado de siddhas, o qual desenvolve os siddhis ou funções paranormais, parapsíquicas ou simplesmente funções psi, como chamamos em Parapsicologia. O autoestudo é assunto dedicado e associado a Swadhyaya, já a cosmoética, os bons hábitos alimentares, uma rotina adequada de vida, a não dissipação da energia sexual e seu bom uso, a não-violência e assim por diante, não são novidades da Conscienciologia. Patañjali já as definia como os pressupostos para a realização do Yoga. Autopesquisar-se nem mesmo foi invento de Sylvan Muldoon ou Waldo Vieira e parece-me que o assunto já que virou Sutra (e para virar Sutra na Índia o assunto tinha sido debatido por séculos a fio), era amplamente conhecido pelos antigos cientistas da consciência, confundidos por alquimistas.

Da mesma forma que temos a dupla Conscienciologia-Projeciologia, temos na Índia, Samkhya-Yoga e na China, Tao(ismo)-Yoga. Toda a medicina associada e derivada faz parte da profunda sistemática adotada pela antiga ciência avançada da consciência.

E no fundamento comum, inevitavelmente, temos de adentrar naquilo que é chamado em Antropologia de Xamanismo. Na China simplesmente Wu ou Wuismo, ou as práticas e ciência vivenciadas pelos indígenas chineses antigos, patriarcas de sistemas como I Ching, a antiga acupuntura, o qi gong e outros métodos complexos, que podemos resumir em: Yoga (embora chinês).

Impossível também não adentrar nos métodos de arte marcial especialmente o indiano Vajramushti/Kalaripayatt, que influenciou poderosamente os movimentos e posturas adotadas no Yoga e no uso de técnicas respiratórias e de mobilização da energia para fins de combate a mão desarmada e armada. Na China esta arte marcial passou a ser chamada de Wushu e o Tai Chi Chuan acabou sendo confundido como uma destas artes. A pesquisa exploratória aprofundada que realizei demonstrou claramente que o Tai Chi Chuan não é uma arte para combate externo e sim interno e detém seu fundamento como ciência da consciência e não como arte de combate a mão desarmada e armada. Seu uso como arte marcial evidenciou uma distorção do sentido original da prática, associada ao Yoga e aos métodos de autodefesa isento de violência.

No que diz respeito à relação de tudo isto com a Holocosmologia resumo em dizer que o Yoga real (único Yoga o qual derivam-se os demais), por voltar-se ao ápice da experiência consciencial humana possível, chamada de kaivalyam (cosmoconsciência, estado de holfusão), apresenta-se como a sistemática universal que visa a dissolução do sofrimento consciencial em direção à vida samádhica e hipertranscendente (kaivalyam) no espaço-tempo holodimensional do holocosmo, na vida em campo simultâneo, sem passado, presente e futuro, no campo infinito-atemporal do holocosmo. 

Assim, em termos de Holocosmologia considero dentro de meus critérios de lucidez atual, que não existe ciência além desta que um ser humano comum, como eu e você, podemos compreender. E em termos de experiência e métodos, não existe sistemática que possa ser mais completa e mais útil ao ser humano comum, como eu e você, como o Yoga. Assim fixo a Holocosmologia e o Yoga como os campos máximos ao ser humano comum, ainda necessitados de letras, alfabetos, livros e linguagem comum para se comunicar, perdidos entre emoções e sentimentos, pensamentos confusos e clareza, amor e ódio, confiança e aversão.... em resumo: Yin e Yang. O Yoga é o caminho para a vida holocósmica e para o entendimento da ciência do Holocosmo, a Holocosmologia, compreendendo translinguisticamente o sentido maior de determinadas coisas ocorridas na Terra que nenhuma ciência comum poderia dar acesso. E este acesso é realizado através de uma vida em Yoga.

Dentro de tudo que escrevi também aqui, deixei claro que independente do método adotado pela multiplicidade de linhas, filosofias, religiões, ciências e métodos, encontraremos os resquícios mais fortes, médios ou fracos da presença do Yoga real, universal, holodimensional. Assim, os esforços nos levarão para o mesmo e único lugar: aquele lugar onde não sabemos absolutamente nada, onde não compreendemos o sentido de tudo ser como é, foi e como se torna; o lugar do não-entendimento mais profundo da vida e de tudo que existe e que se mostra como potência de existir; o lugar o escuro de nossas origens no infinito do passado e de nosso destino num mesmo infinito futuro; da incompreensão total do holocosmo ser como é e mover-se como se move e arquiterar-se como se arquiteta... Este lugar que transcende nossa capacidade cognitiva é o limite da ciência, porém, é para este lugar que o Yoga nos move, para a transciência. O Yoga assim é uma sistemática científica que visa levar o ser humano para o campo transcientífico, fundamento da saúde, da hiperlucidez e da ausência de perturbações. Este lugar, mesmo que não tenha nome, assim foi nomeado por Lao Tzu, no séc. VI a.C, de Tao. Daí Tao Yoga, ou união com Tao. Tao aqui nada tem a ver com o Deus ocidental, humano e ainda confundido com o mítico Jesus de Nazaré.

As pesquisas que deixei públicas aqui neste espaço evidenciam que todas as funções psi, ou parapsíquicas (siddhis) quando extrapolam a condição do espectro da vida humana e irradia-se ao holocosmo, detém a condição de ser uma nova função psi, a que chamei de função psi-ómicron, associada aos fenômenos psi de espectro holocósmico, incluindo a comunicação direta com inteligências de linhagem cósmica extraterrestre.

Atualmente, compreendo que vivemos uma fase de elucidação do Yoga real e da ciência máxima humana, a Holocosmologia. Além disso, temos o infinito e a eternidade como os fundamentos mais reais de tudo ser como é, num sendo eterno-infinito (holomovimento). Da mesma forma que a física alcançou o limite do estudo da Terra e expandiu-se ao cosmo pela astronomia, astrofísica e moderna cosmologia, temos que a ciência avançada da consciência alcançou seu limite de estudo da consciência cerebral e terrestre e expandiu para a consciência holocósmica, para a Holocosmologia e para as funções psi avançadas, além de tudo o que a Parapsicologia já investigou academicamente.

Este aprofundamento já vem se dando através de vários de nós que passou pelos intervalos cosmointermissivos, junto às sociedades de inteligências cósmicas mais livres da Terra e mais lúcidas quanto a cosmocracia. E neste sentido, adentrei também nos assuntos concernentes ao Cosmodireito, a Cosmocracia, a Cosmojurisdição, aos Conselhos de Calibração e assim por diante, e até mesmo nas investigações cosmoprojeciológicas que realizei com os regeneradores e sua hipertecnologia de deslocamento hiperespacial em uma espécie de dimensão ainda física, porém, invisível para nossos olhos fisiológicos. Também tentei relativizar o conceito de vida e inteligência no holocosmo, situando a inteligência como o centro do entendimento e não a forma de expressão da mesma. Assim, situei a habiltabilidade holocósmica como uma realidade comprovável pelo Yoga em suas variantes metodológicas, incluindo a Projeciologia, especialmente.

Em síntese, você tem aqui com você o esboço ainda inicial, rascunho, que compõe o ensaio geral em Holocosmologia, faltando apenas uma descrição mais precisa do Yoga e sua sistemática, o que será objeto dos próximos ensaios, de forma que o interessado possa praticar. Iniciaremos pelo entendimento do princípio fundamental: o amor, a benevolência, pressuposto para a união. Daí, Yoga, união ou "caminho para a união".


16.2.15

Svadhyaya: Ensaio sobre a Autopesquisa da Consciência através do Yoga

Yogue chinês deixando o corpo
em meditação microcósmica.
Fernando Salvino (M.Sc)
Parapsicólogo, Psicoterapeuta
Professor, Praticante e Pesquisador do Tao Yoga - Tai Chi Chuan, Holocosmologia e Ciências Avançadas da Consciência



O Yoga é aos olhos do preconceito e mesmo do leigo desinformado alguma coisa ligada a malabarismos ou simplesmente ficar sentado sem fazer nada, ou meditando e assim por diante. Infelizmente o Ocidente consegue diminuir qualquer contribuição significativa que não tenha sido produzida em território ocidental.

Apesar da mistificação dada por gurus de todos os tipos, e por ser a ciência um feito difícil de ser efetivado, ainda mais uma ciência da consciência pautada em autoexperimentações, autopesquisas e tão dependente assim do sujeito que é ao mesmo tempo objeto de si mesmo, entre os anos 200 a.C e os anos posteriores a cristo, Patañjali nos deixou o legado do Yogasutra como o tratado racional expondo a sistemática do Yoga enquanto caminho definitivo para a dissolução das perturbações, o assentamento no samadhi e a liberação total do ser, ou kaivalyam. Simples assim. Nem menos, nem mais.

Patañjali sintetiza:

"A realização do Yoga provém da disciplina e desapego, do auto-estudo e da auto-entrega."

A antiquíssima ciência do Yoga, que tem em sua realização, ou Krya Yoga, a autopesquisa (autoestudo, auto-observação, autoanálise, intuição de si mesmo, acesso à sabedoria interna e entrega à sabedoria interna) ou o estudo de si mesmo como o centro mesmo para a auto-entrega ou o caminho de cada um no universo.

Então, o Yoga em nada tem a ver com malabarismos, ginástica ou contorcionismos, como vem sendo atacado por leigos e desinformados, e não raro, por pessoas de índole de bem, porém, influenciados por opiniões de outras pessoas nada informadas, como é o caso da comunidade associada a Waldo Vieira, que desconhecem o que é realmente o Yoga e sua real função como ciência aplicada da consciência, em uma perspectiva de autopesquisa evolutiva em direção ao que chamou Patãnjali de kaivalyam.

Assim, define Patañjali que a realização do Yoga se dá pela disciplina e desapego, pelo esforço em permanecer no recolhimento dos meios de expressão da consciência e ater-se ao centro em si mesmo corrigindo a percepção de si e da realidade, no acesso direto ao saber interno e na entrega a este saber, até a liberação total do ser, ou kaivalyam.

Svadhyaya é assim a autopesquisa parapsíquica, profunda, do Yoga assim sistematizado por Patãnjali, e estando num dos angas iniciais, ou o Nyama, está contido em todos os demais angas, como forma de orientação a prática correta do Yoga.

Yoga sendo a união do microcosmo ao macrocosmo, em um estado superior de holofusão, ou kaivalyam, além ainda do samadhi (a condição para a meditação), tem em svadhyaya seu principal suporte, visto é através dele que desenvolvemos o correto discernimento que corrige a confusão das perturbações geradas pelo apego, aversão e outras formas de perturbação e obstáculos.

A ênfase na auto-experimentação levada a cabo por uma disciplina e um desapego persistente, acompanhado de uma autopesquisa criteriosa, parapsíquica e racional, assim como um assentamento na autoconfiança quanto a entrega à sabedoria interna faz do Yoga, em minha opinião, a sistemática mais completa para a evolução da consciência, sendo todas as demais derivações em menor ou maior grau do Yoga real, ou Raja Yoga.

A autopesquisa da consciência através do Yoga inicia primeiramente pelo estudo aprofundado do Yogasutra, obra das mais profundas já escritas na humanidade. Com o estudo iniciamos um autoestudo indireto, convidados por Patãnjali a trilhar os quatro capítulos que esclarecem o sentido da existência humana e a verdade por detrás das perturbações e como dissolvê-las definitivamente. Após tem-se nos angas ou nas partes da ampla sistemática do Yoga, sendo que as primeiras são regras de restrição ética e a segunda regras de autoaperfeiçoamento. Diante de tais pressupostos epistemológicos da auto-ciência do Yoga, o praticante vê-se diante de si mesmo e em relação aos demais seis angas, todos trabalhando as regulações que se iniciam na regulação do centro intencional da consciência (chamada por Patãnjali de citta) seguindo dos demais angas, que regulam a força física, o alongamento e fortalecimento dos músculos e tendões (ásanas) seguindo da prática correta da respiração e movimentação da energia (pranayama). Após regula-se o recolhimento (pratyahara) preparando para a correta concentração num único ponto (dharana). A partir disso, ocorre a meditação num único objeto (dhyana) para que o praticante alcançe o samadhi e inicie a meditação. Pela meditação o Yoga prevê a meta superior do kaivalyam, quando extingue-se qualquer noção de um eu separado do mundo, num estado de dissolução hiperlúcida-holocósmica de consciência, pondo fim a necessidade de um ego e dando início ao fim de todo mal e a manifestação de todo o bem universal.

Estes últimos estágios do Yoga acompanham experiências parapsíquicas e projeciológicas, sendo comum praticantes avançados sairem de seus corpos com inteira lucidez e mesmo obterem as percepções parapsíquicas mais claras da realidade, associadas a função psi-gama, psi-kapa, psi-theta e psi-ómicron.

13.1.15

Sobre a Institucionalização da Verdade e Liberdade

Fernando Salvino (M.Sc)
Parapsicólogo, Psicoterapeuta
Professor, Pesquisador e Divulgador da Holocosmologia e do Yoga, especialmente o Yoga chinês.


Este ensaio nem pode ser chamado de ensaio, seria melhor rascunho, rabisco. Seu objeto é também simples, mas em sua vida orgânica, muito complexo. É o simples complexo: a institucionalização da verdade.

A verdade vem sendo institucionalizada desde os tempos antigos. Gurus, religiosos, xamãs, políticos, cientistas, ocultistas, filósofos até as pessoas comuns sem qualquer denominação de autoridade da verdade, com seus dogmas e com seus separatismos da verdade em detrimento do outro, não detentor da mesma.

Apesar do fato de que, se todos os "donos da verdade" fossem questionados admitir-se-ia com toda a honestidade que não estão a proclamar A verdade, mas antes, de UMA SUPOSTA verdade. Estamos a falar de um paradigma, como modernamente se coloca, ou como prefiro, uma concepção de realidade, que está completamente dependente do grau cognitivo, da percepção e do nível de discernimento e inteligência do sujeito em relação àquilo que pretende conhecer ou que se diz que conhece, o objeto.

O conhecimento do objeto percebido é a medida do sujeito percebedor. Assim conhecemos aquilo que se restringe aos nossos limites de conhecer, portanto, não acessamos a verdade, mas concebemos uma forma de conhecimento restrita ao que somos e aos nossos limites. Este conhecimento não é verdadeiro em si, pois que, se o sujeito modificar seu discernimento eis que a verdade também se modifica. Então, estamos a tratar da verdade?

Não, é evidente que não. Estamos a tratar de concepções da realidade e não da realidade em si mesma, pura.

A sociedade humana e suas diferenças em todos os níveis evidentemente também irá produzir saberes limitados àqueles sujeitos assim restringidos por seu contexto e seus dogmas, repressões e censuras.

É aqui que se encontra os grandes ramos mais idolatrados pela modernidade:

Ciência - Filosofia - Religião

E estes grandes ramos são pinturas mal feitas da paisagem holocósmica.

Há de existir uma forma de acesso direto à verdade, porém, esta inclui necessariamente o subjeito percebedor, o sujeito de conhecimento, a subjetividade, a inteligência, o abstrato interno que pulsa em todos nós em suas relações com aquilo considerado o outro, o que não é o sujeito, até a transcendência desta separação artificial, na unidade vivida e na dissolução total da separação.

Neste nível não existe concepção alguma da realidade, mas a vivência da realidade em si, a partir da dissolução do espaço-tempo e da vida consciencial pura, livre em holofusão, holocósmica.

É a realidade em si, enquanto consciência sem ego em dissolução de toda separatividade e unidade orgânica universal.

Somente neste nível vislumbramos o princípio de uma sociedade verdadeiramente cosmoética que se une a partir de uma realidade subjacente a toda concepção de realidade, o fundamento da irmandade universal e da paz definitiva.

A isto se chamou Kaivalyam, estado Tai Chi (ou Ji), comunhão com Tao, união com Brahman e assim por diante.

É o início do entendimento do "vazio" como sustentáculo do "cheio". Daí se afirmou que:

Do Wu-Ji nasce o Tai-Ji e a partir do Tai-Ji chegamos as 10.000 coisas.

Porém até isto não passa de uma concepção e não da realidade em si.

A partir do entendimento de que uma dada concepção seja correta ou julgada assim muito boa, passa-se a idolatrar esta concepção e não raro seu criador, transformando-o em guru, mestre, gênio, e, ao seu redor, centenas, milhares de pessoas carentes e crentes rodeiam o  guru e a concepção na busca de salvação, segurança interior e vida próspera.

Este fenômeno gera verdadeiro impacto econômico, empresas são criadas, dinheiro circula facilmente, prédios são construídos, mensalidades são cobradas, cursos, aulas, palestras, cultos. E aqui não importa ser algo de uma suposta ciência, religião ou filosofia. Neste nível institucionalizou-se a verdade.

A autopesquisa parapsíquica, ou o estudo de si mesmo em profundidade além dos sentidos orgânicos, incluindo todas as nossas capacidades assim consideradas parapsíquicas, incluindo os de ordem psi-gama, psi-theta, psi-kapa e psi-ómicron, potencializam a visão mais pura da realidade e imunidade à sedução de se institucionalizar a verdade.

A verdade não nasceu para viver entre muros. O que está fora é maior do que está dentro.

A isto refiro-me principalmente as linhas científicas, ou assim consideradas, as mais avançadas, dizendo, Psicologia, Parapsicologia, Projeciologia, Conscienciologia e assim por diante. A sua institucionalização fez com que tais áreas tornassem-se verdades institucionalizadas.

Quando uma ciência, filosofia ou religião se institucionaliza não seria exagero afirmar que tornou-se doente. A doença da ciência é fecha-la em quatro paredes, certificar os doutos e excluir os demais. Assim cria-se o clero e as mensalidades.

As instituições assim consideradas conscienciocêntricas refletem justamente isto: com a verdade institucionalizada, com seus cursos curriculares e com seus "pastores" treinados, tenta-se apropriar de determinada ciência ou objeto de ciência e ditar regras inclusive de conduta para os adeptos, que reagem como rebanho dos pastores.

E a essência se perde. A consciência torna-se concebida como um ego e seus veículos e acredita-se nesta versão.

Assim, perde-se a noção clara de que qualquer concepção, por mais interessante que seja, por mais racional que seja, por mais aparentemente bela e precisa seja, nada mais é que mais uma concepção da realidade e não a realidade em si.

Pois, enquanto houver a concepção de que uma concepção é melhor que outra o que justifica a construção de muros no planeta, de fronteiras entre países, de divisões culturais e guerras psicológicas entre gurus, seitas e linhas religiosas, ainda teremos um longo tempo de sofrimento no planeta.

Porém, se compreendermos o fato de que concepções são como as estações do ano, ou seja, pertencentes ao nível de realidade sujeito à mutação, a impermanência, então começaremos a tentar "ver" o que está por trás da mutação, o eixo holocósmico geral, o fundamento da mutação, na subjetividade invisível do mundo das formas e das aparências. Estaremos tentando "ver" donde vem as infinitas concepções da realidade,  no centro abstrato e não-local da consciência, na incorporeidade subjetiva total do ser e na dissolução da fronteira entre o eu e o não-eu, o eu e o ambiente, o eu e o holocosmo, até a holofusão.

O caminho que leva o sujeito à transcender o eu, dissolver as fronteiras que o dividem com o suposto ambiente externo, dissolver com isto todo o sofrimento, alcanaçar um nível de realidade transconceptual no fundamento de todo o conhecimento transitório possível, é chamado de Yoga, o Yoga puro, livre de todo guru e instituição.

Porém, ainda assim, e só por estar usando palavras para tentar expor ideias, que são derivadas de concepções da realidade, e só por isto já temos indício de se tratar de mais uma concepção e por isto é necessário considerar assim algo transitório, impermanente. Assim, qualquer coisa comunicada e que passe por quaisquer dos sentidos assim orgânicos, a fala, a escrita, a comunicação gestual e assim por diante até a abstração matemática dos simbolos e fórmulas ainda sim são concepções da realidade e não a realidade em si, e portanto, impermanentes como tudo o mais.

Assumir que não sabemos exatamente qual é a verdade, faz com que todas os muros que dividam a verdade da mentira ou da falsidade caem. A verdade de hoje é a mentira de amanhã. A mentira de hoje pode ser a verdade de amanhã, porém, na essência nenhuma delas é absolutamente verdadeira ou absolutamente falsa, mas ambas são concepções assim consideradas melhores ou piores dentro de um contexto cultural e político.

E por fim, lembremos que o princípio "não acredite em nada, nem mesmo no que leu aqui neste ensaio, tenha suas experiências", ainda sim é uma concepção.

O objetivo deste ensaio foi discernir "concepção de realidade" do conceito de verdade ou mentira, e situar o território da concepção da realidade como um campo tendente à muros e institucionalizações, para proteger a verdade e seus criadores, com certificações e com a mercantilização da verdade, dando a pseudo-segurança para os seguidores a partir das verdades ditadas pelos professores e gurus e pela contrapartida financeira e outras recompensas.

Apesar de ainda ser necessário existir no planeta, em decorrência da diversidade em discernimento, as instituições tenderão a se dissolver conforme as pessoas vão acessando a realidade em si mesma.

A partir disto o que fica é o amor puro como resídio do entendimento da holofusão de tudo com tudo e da natureza comum de todos, a partir da dissolução progressiva do ego (consciência em egoidade) até o eu holocósmico.

É o início do entendimento do cosmodireito, da cosmoética, da sociedade universal, da holocosmologia.